Ciência e Religião são inegavelmente duas das forças culturais mais poderosas da história. Contemporaneamente, é opinião generalizada que só a visão da ciência é verdadeira e benéfica para o ser humano, pois pode comprovar-se racional e experimentalmente, enquanto a religião se baseia em dogmas que não admitem justificação racionalmente fundada. Tal visão, pretendendo fundamentar-se nas novas descobertas da ciência (Big Bang, bosão de Higgs, neurociências) e descartar toda a visão religiosa do Homem e do Mundo, não é corroborada pela análise crítico-filosófica.
Este curso vem colmatar uma necessidade de formação, sentida pelos professores de Filosofia e de Educação Moral, relativa a esta temática que cruza ciência, filosofia e religião.
FORMADOR
Álvaro Manuel Rodrigues Balsas (Professor Auxiliar na Universidade Católica Portuguesa, com Doutoramento em Filosofia da Ciência)
CRONOGRAMA

CONTEÚDOS
1.Ciência e religião
1. A ciência e a religião na cultura actual: duas visões do mundo. A tese dos quatro cavaleiros do novo ateísmo: o avanço da ciência implica o recuo de Deus (R. Dawkins, D. Dennett, S. Harris e C. Hitchens). A tese ateísta de cientistas (V. Stenger, L. Krauss e S. Hawking): a ciência como substituto de Deus.
1.2. Ciência e fé como incompatíveis: ideologias e dogmatismos científicos (materialismo, cientismo) e religiosos (fideísmo, fundamentalismo). Ian Barbour e as relações históricas entre ciência e religião: conflito, independência, diálogo, integração, complementaridade. A ciência como único caminho seguro de conhecimento verdadeiro?
2. Experiência e conhecimento humano do Mundo: Ciência, Filosofia e Religião.
2.1. Experiências humanas básicas do Mundo: experiência do conhecimento, experiência ética, experiência de amizade e de amor, experiencia estética e experiência religiosa. Representação e significação da experiência e conhecimento do Mundo. Experiência científica e experiência religiosa. Multiplicidade das diversas formas de conhecimento. Conhecimento científico, conhecimento filosófico e conhecimento religioso. A questão do método de conhecimento, seus pressupostos e limites.
2.2. Pressupostos e limites da ciência. Limites experimentais, cognitivos, éticos e de crescimento. Pressupostos metafísicos e questões últimas. Questões de “tipo-como” e de “tipo-porquê”.
3. Debates contemporâneos sobre o Cosmos e o Ser Humano.
3.1. O Cosmos: origem, estrutura e evolução
- A origem do Universo e da matéria: a teoria do Big Bang e o bosão de Higgs ou “partícula de Deus”.
- Os problemas físico e metafísico da origem do Universo.
- A cosmologia cristã, a noção filosófica de “creatio ex nihilo” e sua adaptabilidade às diversas cosmologias científicas.
- Consequências culturais da noção de criação: desdivinização do Mundo, surgimento da ciência moderna, cuidado ecológico. A distinção entre criação e o criacionismo das teorias actuais do Intelligent Design.
- A evolução e fim do Universo. O princípio antrópico. Leis da Natureza, acção divina e milagres.
3.2. O Ser Humano: origens, características e finalidade
- Panorâmica geral da visão científica actual sobre o ser humano e a sua origem, com base nas evoluções cósmica e das espécies. Os diversos saberes científicos sobre o ser humano e a abordagem da antropologia filosófica.
- Características diferenciadoras do homo sapiens em relação a outros hominídeos: a racionalidade, a auto-consciência, a liberdade, a moralidade e a responsabilidade, a consciência da morte, abertura ao meio ambiente, orientação para o futuro e sentido da existência, abertura à esperança e à transcendência.
- Teorias explicativas da pessoa humana em termos monistas (materialistas), dualistas (corpo-alma; cérebro-mente). A teoria dinamicista de Pedro Laín Entralgo.
- A visão antropológica cristã: o homem como fruto da evolução e como imago Dei, chamado à comunhão plena para lá da morte. A dignidade e liberdade da pessoa humana.
| Duração | 25 horas. 25h |
| Modalidade: | Curso de Formação |
| Formação | Específica |
| Acreditação | CCPFC/ACC-130548/24 |






