| Duração | 6 horas. 6h |
| Modalidade: | Ação de Curta Duração |
| Formação | Geral |
| Acreditação | CFAEVNF/ACD - 26.000 |

Local: Casa de Camilo- Casa dos Caseiros
Datas: 2 e 16 de junho
Formadoras:Teresa Araújo (Casa Camilo) e Anabela Ramos (Mosteiro Tibães)
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Camilo era um conhecedor das vivências monásticas e das suas sociabilidades. Bastará analisar algumas das suas obras para verificarmos isto mesmo. Ele próprio foi um frequentador assíduo dos abadessados ou outeiros do mosteiro feminino de S. Bento de Avé-Maria, e, segundo se consta, teve um relacionamento amoroso com a freira Isabel Vaz Mourão que criou a sua filha, Bernardina Amélia. Os abadessados eram uma espécie de "torneios poéticos" ou serões culturais que duravam várias noites. Geralmente começavam ao fim do dia, depois do sol-posto, quando o sino tocava pela última vez, “as Trindades”. O dia de trabalho chegara ao fim e por isso havia que rezar à Santíssima Trindade por mais um dia de trabalho. Geralmente rezava-se nesta altura três Pais-nossos, um a cada entidade da Santíssima Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo).
Era por esta ocasiões, que se davam início a estes torneios de poesia onde poetas, figuras da sociedade, familiares e amigos das freiras se reuniam junto às portarias ou janelas dos conventos, e que iam pela noite fora, e dedicavam versos às freiras, acompanhados por vezes de música e petiscos finos, como vinho do Porto e doces conventuais.
Estes abadessados aconteciam habitualmente aquando da eleição de uma nova abadessa, evento que ocorria geralmente de três em três anos.
Camilo era, pois, um profundo conhecedor desta realidade monástica que viveu já em pleno liberalismo, mas a realidade monástica do passado, nomeadamente a questão de Pedro de Assunção, ocorrida numa eleição de setecentos em Tibães e que Camilo refere na sua obra Mosaico e Silva. Jogos de poder e interesses a serem desvendados.





